Mostrar mensagens com a etiqueta Em que cremos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Em que cremos. Mostrar todas as mensagens

21 - Fé – o que é isso?

Fé é conhecimento e confiança. Tem sete características:
  • A fé é uma pura dádiva de Deus, que nós obtemos se intensamente a pedirmos.
  • A fé é a força sobrenatural de que necessariamente precisamos para alcançar a salvação.
  • A fé requer a vontade livre e a lucidez do ser humano quando ele se abandona ao convite divino.
  • A fé é absolutamente segura porque Jesus o garante.
  • A fé é incompleta enquanto não se tornar operante no amor.
  • A fé cresce na medida em que escutamos cada vez melhor a Palavra de Deus e permanecemos com Ele, na oração, em vivo intercâmbio.
  • A fé permite-nos já a experiência do alegre antegozo do Céu. [153-165, 179-180, 183-184]
Muitos afirmam que “crer” é demasiado pouco; eles querem é “saber”. A palavra “crer” tem, no entanto, dois sentidos completamente distintos. Se um pára-quedista, no aeroporto, pergunta ao empregado: «O pára-quedas está correctamente acondicionado?», e este casualmente responder: «Hum, creio que sim...», isso então não lhe bastará; ele quer mesmo saber. Se, todavia, ele tiver pedido a um amigo para acondicionar o pára-quedas, e este lhe responder à mesma pergunta: «Sim, eu pessoalmente encarreguei-me de o fazer. Podes confiar em mim!», o pára-quedista responder-lhe-á então: «Está bem, acredito em ti!» Esta fé é muito mais que “conhecimento”, ela significa “certeza”. E esta é a fé que fez Abraão mudar-se para a Terra Prometida, esta é a fé que fez os -> MÁRTIRES perseverarem até à morte, esta é a fé que ainda hoje mantém de pé os cristãos perseguidos. Uma fé que compreende todo o ser humano...

Se tiverdes uma fé comparável a um grão de mostarda, direis a este monte: «Muda-te daqui para acolá», e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível. Mt 17,20

Crer significa sustentar, durante toda a vida, a incompreensibilidade de Deus. Karl Rahner (1904-1984, teólogo alemão)

20 - Como podemos responder a Deus quando Ele nos aborda?

Responder a Deus significa crer n’Ele. [142-149]

Quem deseja crer precisa de um «coração que escuta» (1Rs 3,9). Deus procura o contacto connosco de múltiplas formas. Em cada encontro humano, em cada experiência da Natureza que nos toca, em cada aparente acaso, em cada desafio, em cada sofrimento... Deus deixa-nos uma mensagem escondida. Ele fala-nos ainda mais claramente quando Se dirige a nós pela Sua Palavra ou pela voz da consciência. Ele trata-nos como amigos. Por isso, também nós, como amigos, devemos  corresponder-Lhe, crendo e confiando totalmente n’Ele, aprendendo a conhecê-l’O cada vez melhor e a aceitar sem reservas a Sua vontade.

Crer é essencialmente o acolhimento de uma Verdade que a nossa razão não consegue atingir, um acolhimento simples e incondicional, como se se tratasse de uma prova. Beato John Henry Newman (1801-1890, filósofo e teólogo inglês convertido, mais tarde cardeal da Igreja Católica)

19 - Que papel desempenha a Sagrada Escritura na Igreja?

A Igreja busca a sua vida e a sua força na Sagrada Escritura, como quem busca a água num poço. [103-104, 131-133, 141]

Além da presença de Cristo na Sagrada -> EUCARISTIA, a Igreja nada honra com mais veneração que a presença de Deus na Sagrada Escritura. Na Santa Missa, acolhemos o Evangelho de pé, porque é o próprio Deus que nos fala com palavras humanas. -> 128

A Sagrada Escritura não é algo que pertence ao passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente; Ele fala connosco hoje, dá-nos a Luz, mostra-nos o caminho da Vida, concede-nos a comunhão, e, assim, prepara-nos e abre-nos para a Paz. Bento XVI, 29.03.2006

18 - Que significado tem o Novo Testamento para os cristãos?

No -> NOVO TESTAMENTO consuma-se a Revelação de Deus. Os quatro evangelhos – segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João – são o coração da Sagrada Escritura e o mais precioso tesouro da Igreja. Neles mostra-Se o Filho de Deus como Ele é e como vem ao nosso encontro. Nos Actos dos Apóstolos conhecemos os primórdios da Igreja e a acção do Espírito Santo. Nas cartas apostólicas a vida do ser humano é iluminada, em todas as suas dimensões, pela Luz de Cristo. No Apocalipse de São João antevemos o fim dos tempos. [124-130, 140]

Jesus é tudo o que Deus nos queria dizer. Todo o Antigo Testamento prepara a encarnação do Filho de Deus. Todas as promessas de Deus encontram em Jesus o seu cumprimento. Ser cristão significa unir-se cada vez mais profundamente à vida de Cristo. Para isso é preciso ler e viver os evangelhos. Madeleine Delbrêl diz: «Através da Sua Palavra, Deus diz-nos quem Ele é e o que quer; Ele di-lo definitivamente e para cada dia. Quando temos o nosso Evangelho nas mãos, devemos considerar que aí habita a Palavra que Se tornou carne para nós e nos quer atingir para recomeçarmos a Sua vida num novo lugar, num novo tempo, num novo ambiente humano.»

Só quando nos encontramos com o Deus vivo aprendemos o que é a Vida. Não há nada mais belo que ser encontrado pelo Evangelho, por Cristo. Bento XVI, 24.04.2005

17 - Que significado tem o Antigo Testamento para os cristãos?

No -> ANTIGO TESTAMENTO, Deus mostra-Se como o Criador e o sustento do mundo, como guia e educador da humanidade. Também os livros do Antigo Testamento são Palavra de Deus e Sagrada Escritura. Sem o Antigo Testamento não é possível compreender Jesus. [121-123, 128-130, 140]

No Antigo Testamento começa uma grande história didáctica sobre a fé, que no Novo Testamento sofre uma decisiva viragem e atinge a meta com o fim do mundo e o retorno de Cristo. Aqui o Antigo Testamento revela-se mais do que um simples prelúdio ao Novo. Os Mandamentos e as profecias do Povo da Antiga Aliança, com as suas promessas para toda a humanidade, nunca foram revogados. Nos livros da Antiga Aliança encontra-se um insubstituível tesouro de orações e de sabedoria; em particular, os Salmos pertencem à oração quotidianan da Igreja.

Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob – não dos filósofos ou dos eruditos! Deus de Jesus Cristo. Só se pode encontrar e guardar nos caminhos instruídos no Evangelho. Blaise Pascal, depois de fazer uma experiência de Deus

Os Livros da Bíblia (-> CÂNONE)

ANTIGO TESTAMENTO (lat. testamentum = legado) (46 Livros)
É a primeira parte de toda a Bíblia e a Sagrada Escritura dos judeus. O Antigo Testamento da Igreja Católica abarca 46 livros: Pentateuco, escritos históricos, proféticos e sapienciais (em que se incluem os salmos).

Pentateuco
Génesis (Gn), Êxodo (Ex), Levítico (Lv), Números (Nm), Deuteronómio (Dt)

Livros Históricos
Josué (Js), Juízes (Jz), Rute (Rt), 1 Samuel (1Sm), 2 Samuel (2Sm), 1 Reis (1Rs), 2 Reis (2Rs), 1 Crónicas (1Cr), 2 Crónicas (2Cr), Esdras (Esd), Neemias (Ne), Tobias (Tb), Judite (Jt), Ester (Est), 1 Macabeus (1Mc), 2 Macabeus (2Mc)

Livros sapienciais
Job (Job), Salmos (Sl), Provérbios (Pr), Coélet (Ecl), Cântico dos Cânticos (Ct), Sabedoria (Sb), Ben Sirá (Eclo)

Livros proféticos
Isaías (Is), Jeremias (Jr), Lamentações (Lm), Baruc (Br), Ezequiel (Ez), Daniel (Dn), Oseias (Os), Joel (Jl), Amós (Am), Abdias (Ab), Jonas (Jn), Miqueias (Mq), Naum (Na), Habacuc (Hab), Sofonias (Sf), Ageu (Ag), Zacarias (Zc), Malaquias (Ml)


NOVO TESTAMENTO (27 Livros)
É a segunda parte de toda a Bíblia. Contém os textos especificamente cristãos, nomeadamente os quatro Evangelhos, os Actos dos Apóstolos, treze cartas paulinas, a Carta aos Hebreus, sete cartas católicas e o Apocalipse de São João.

Evangelhos
Mateus (Mt), Marcos (Mc), Lucas (Lc), João (Jo)

Actos dos Apóstolos (Act)

Cartas paulinas
Carta aos Romanos (Rm) 1 Carta aos Coríntios (1Cor), 2 Carta aos Coríntios (2Cor), Carta aos Gálatas (Gl), Carta aos Efésios (Ef), Carta aos Filipenses (Fl), Carta aos Colossenses (Cl), 1 Carta aos Tessalonicenses (1Ts), 2 Carta aos Tessalonicenses (2Ts), 1 Carta a Timóteo (1Tm), 2 Carta a Timóteo (2Tm), Carta a Tito (Tt), Carta a Filémon (Fm) Carta aos Hebreus (Hb)

Cartas católicas
Carta de São Tiago (Tg), 1 Carta de São Pedro (1Pd), 2 Carta de São Pedro (2Pd), 1 Carta de São João (1Jo), 2 Carta de São João (2Jo), 3 Carta de São João (3Jo), Carta de São Judas (Jd)

Apocalipse de São João (Ap)

Cânone e Bíblia

CÂNONE (lat. canon = cana de medição, directriz)
Trata-se da compilação vinculativa das Sagradas Escrituras que se encontram na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

BÍBLIA
Por “Bíblia” (gr. biblos = livro) designam os judeus e os cristãos uma colecção de escritos sagrados que surgiram num período de mais de 1000 anos e constituem o documento da sua fé. A Bíblia cristã é substancialmente mais abrangente que a judaica, pois, além dos escritos desta, contém ainda outros livros do Antigo Testamento, quatro Evangelhos, as Cartas de São Paulo e outros escritos da Igreja primitiva.

16 - Como se lê a Bíblia correctamente?

A Sagrada Escritura lê-se correctamente se for lida em atitude orante, ou seja, com a ajuda do Espírito Santo, sob cujo influxo ela surgiu. Ela contém a Palavra Deus, isto é, a decisiva mensagem de Deus para nós. [109-119, 137]

A Bíblia é como uma long carta de Deus dirigida a cada um de nós. Por isso, temos de acolher as Sagradas Escrituras com grande amor e respeito. Primeiro, devemos realmente ler a carta de Deus, isto é, não isolar pormenores sem atender ao todo. Depois, devemos orientar esse todo para o seu coração e mistério, ou seja, para Jesus Cristo, de quem fala toda a Bíblia, mesmo o Antigo Testamento. Portanto, devemos ler as Sagradas Escrituras na mesma fé viva da Igreja em que elas surgiram. -> 491

A Bíblia é a carta do amor de Deus dirigida a nós. Sören Kierkegaar (1813-1855, f ilósofo)

15 - Como pode a Sagrada Escritura ser “Verdade”, se nem tudo o que nela se encontra está correcto?

A Bíblia não transmite precisão histórica nem conhecimentos científico-naturais. Também os autores eram filhos do seu tempo. Eles partilhavam as concepções culturais do seu ambiente, em cujos erros, por vezes, estavam presos. Não obstante, tudo o que o ser humano precisa de saber sobre Deus e sobre o caminho da sua redenção encontra-se com infalível segurança na Sagrada Escritura. [106-107, 109]

Meditai a Palavra de Deus...

"Meditai a Palavra de Deus com frequência e permiti ao Espírito Santo ser o vosso mestre. Descobrireis, então, que os pensamentos de Deus não são os nossos; sereis logo conduzidos a contemplar o verdadeiro Deus e ler os acontecimentos da história com os Seus olhos; ireis saborear plenamente a alegria que transborda da Verdade."!

Bento XVI, 22-02-2006

14 - É verdadeira a Sagrada Escritura?

«Os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a Verdade de Deus, porque são inspirados, ou seja, foram escritos por inspiralão do Espírito Santo e têm Deus por autor.» (Concílio Vaticano II, Dei verbum, nº 11) [103-107]

A -> BÍBLIA não caiu do céu feita, nem Deus a ditou a autómatas. Isto é, escritores inconscientes. Antes, «para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-Se de pessoas na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria» (Concílio Vaticano II, Dei verbum, nº 11). Para que determinados textos fossem reconhecidos como Escritura Sagrada, tiveram de ser aceites pela Igreja universal. Teve de existir, portanto, um consenso nas comunidades: «Sim, é o próprio Deus que nos fala por este texto, isto é, mesmo pelo Espírito Santo!» Desde o século IV, estes escritos protocristãos estão fixados no -> CÂNONE DAS SAGRADAS ESCRITURAS, tal como foram realmente inspiradas pelo Espírito Santo.

INSPIRAÇÃO (lat. inspiratio = inalação)
Tal a influência de Deus sobre o escritor bíblico, que Ele mesmo é considerado o autor da Sagrada Escritura.

13 - Pode a Igreja enganar-se em questões de fé?

A totalidade dos crentes não pode errar na fé, porque Jesus prometeu aos Seus discípulos mandar-lhes o Espírito da Verdade e conservá-los na Verdade. (Jo 14,17] [65-66, 73]

Tal como os discípulos acreditavam em Jesus de todo o coração, também um cristão pode confiar totalmente na Igreja se procurar o caminho da Vida. Efectivamente, se o próprio Jesus fez dos Seus Apóstolos participantes na missão de ensinar, a igreja tem uma funão educativa (-> MAGISTÉRIO) e não se pode calar. É certo que alguns membros da Igreja se podem enganar e até cometer erros graves, mas a Igreja, como um todo, nunca se poderá desviar da Verdade de Deus. A Igreja transporta, através do tempo, uma Verdade viva, que é maior que ela mesma. Fala-se de depositum fidei, o tesouro da fé, que deve ser preservado. Caso alguma verdade seja publicamente questionada ou deturpada, a Igreja é desafiada a trazer novamente à luz «aquilo em que se creu por toda a parte em todos os tempos e por todos os crentes» (S. Vicente de Lérins, 450)

MAGISTÉRIO
É a designação da tarefa da Igreja Católica de explicar a fé, interpretá-la com a assistência do Espírito Santo e protegê-la de adulterações. 

12 - Como sabemos o que pertence à verdadeira fé?

Encontramos a verdadeira fé na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja. [76, 80-82, 85-87, 97, 100]

O -> NOVO TESTAMENTO surgiu da fé da Igreja. Escritura e Tradição pertencem-se mutuamente. A transmissão da fé não ocorre primordialmente através de textos. Santo Hilário de Poitiers, bispo da Igreja antiga, dizia: «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais que em pergaminho». Já os discípulos e os -> APÓSTOLOS tiveram a experiência da Vida Nova antes de mais através da comunhão viva com Jesus. A jovem Igreja convidou outras pessoas a esta comunhão, que continuou de outra maneira após a ressurreição. Os primeiros cristãos eram «assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2,42). Eles eram unidos entre si, mas tinham espaço para os outros. É isto que constitui a fé até hoje: os cristãos convidam outras pessoas para descobrirem a comunhão com Deus, a qual, desde o tempo dos Apóstolos, se manteve genuína na Igreja Católica.

"Portanto, a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Concílio Vaticano II, Dei Verbum, nº 9

11 - Porque transmitimos a fé?

Transmitimos a fé porque Jesus ordenou-nos: «Ide, fazei discípulos de todas as nações!» (Mt 28,19) [91]

Nenhum cristão autêntico deixa a transmissão da fé apenas ao cuidado dos especialistas (catequistas, párocos, missionários). Somos cristãos para os outros. Isto significa que cada cristão autêntico deseja que Deus chegue também aos outros. Ele diz para si. «O Senhor precisa de mim! Sou baptizado, confirmado e responsável para que as pessoas à minha volta façam a experiência de Deus e cheguem ao conhecimento da Verdade.» (1Tm 2,4) Madre Teresa utilizou uma boa metáfora: «É frequente observares fios eléctricos ao longo da estrada. Se a corrente não passa por eles, não há luz. O fio é o que somos tu e eu. A corrente eléctrica é Deus. Temos o poder de a deixar passar atravé de nós e, assim, fornecer ao mundo a luz, que é Jesus, ou de recusarmos que Ele Se sirva de nós, permitindo, com isso, que a escuridão se alastre.» -> 123

MISSÃO (lat. missio = envio)
A missão é a essência da Igreja e o mandamento de jesus a todos os cristãos de anunciar o Evangelho com palavras e actos, de forma a que todas as pessoas optem livremente por Cristo.

10 - Ficou tudo dito com Jesus Cristo ou prosseguirá a revelação depois d'Ele?

Em Jesus Cristo foi o próprio Deus que veio ao mundo. Ele é a última palavra de Deus. Ouvindo-O, toda a pessoa, humana, em todos os tempos, pode saber quem é Deus e o que é necessário para a sua salvação. [66-67]

No Evangelho de Jesus Cristo está perfeita e completamente disponível a -> REVELAÇÃO de Deus. Para que ela nos seja clara, o Espírito Santo introduz-nos na Verdade cada vez mais profundamente. A Luz de Deus penetra na vida de algumas pessoas de um modo tão forte, que elas vêem o «céu aberto» (Act 7,56). Foi assim que surgiram os grandes lugares de peregrinação, como Guadalupe, no México, Lourdes, em França, ou Fátima, em Portugal. As «revelações privadas» dos videntes não podem aperfeiçoar o Evangelho de Jesus Cristo; embora não sejam universalmente vinculativas, podem ajudar-nos a entendê-lo melhor, desde que a sua verdade seja examinada pela Igreja.

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho. Ha 1,1ss

9 - O que nos mostra Deus quando nos envia o Seu Filho?

Em Jesus Cristo, Deus mostra-nos toda a profundidade do Seu misericordioso amor. [65-66, 73]

Através de Jesus Cristo, torna-se visível o Deus invisível. Ele torna-Se como nós. Isto mostra-nos até que ponto vai o amor de Deus: Ele carrega todo o nosso peso. Ele percorre connosco todos os caminhos.
Ele vive a nossa solidão, o nosso sofrimento, o nosso medo da morte. Ele apresenta-Se onde não podemos avançar, para nos abrir a porta para a Vida. -> 314

ENCARNAÇÃO (do lat. caro, carnis = carne)
Trata-se da encarnação de Deus em Jesus Cristo. É o fundamento da fé cristã e da esperança na redenção do ser humano.

8 - Como Se revela Deus no Antigo Testamento?

Deus mostra-Se no -> ANTIGO TESTAMENTO, como Aquele que criou o mundo por amor e permance fiel ao ser humano, mesmo que este, pelo pecado, O renegue. [54-64, 70-72]

Deus deixa-Se experimentar na história. Com Noé faz uma Aliança para salvar todos os seres vivos. Chama Abraão para fazer dele o «pai de um grande número de nações» (Gn 17,5) e nele abençoar «todas as nações da Terra» (Gn 12,3). O povo de Israel, descendente de Abraão, torna-se Sua especial propriedade. A Moisés apresenta-se nominalmente: o Seu nome misterioso יהוה, muitas vezes pronunciado como -> "YAHWEH" significa «Eu sou Aquele que sou» (Ex 3,14). Ele liberta Israel da escravidão no Egipto, faz uma Aliança no Sinai e, através de Moisés, entrega-lhe a Lei. Repetidas vezes, Deus envia profetas ao Seu povo. para o chamar à conversão e à renovação da Aliança. Os profetas anunciam que Deus fará uma nova e eterna Aliança, que realizará a uma radical renovação e uma definitiva redenção. Esta Aliança estará aberta a toda a humanidade.

"Aprouve a Deus, na Sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tem acesso ao pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina." Concílio Vaticano II, Dei Verbum, nº 2

7 - Porque teve Deus de Se revelar, para sabermos como Ele é?

O ser humano pode descobrir pela razão que Deus existe, mas não como Deus é realmente. Portanto, como Deus gosta de ser conhecido, revelou-Se. [50-53, 68-69]

Deus teve de Se revelar a nós. Ele fê-lo por amor.
Tal como, no amor humano, só se pode conhecer algo de uma pessoa amada quando ela nos abre o seu coração, também só conhecemos os mais íntimos pensamentos de Deus porque Ele, eterno e misterioso, Se abriu a nós por amor. Desde a Criação, passando pelos patriarcas e pelos profetas, até à definitiva -> REVELAÇÃO no Seu Filho Jesus Cristo, Deus comunicou continuamente com a humanidade. Em Jesus, Ele verteu-nos o coração e tornou-nos claro o Seu Ser mais íntimo.

"Aprouve a Deus, na Sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo a qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tem acesso ao Pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina." Concílio Vaticano II, Dei Verbum nº 2

6 - Pode Deus de alguma forma abarcar-Se em conceitos? Pode falar-se razoavelmente d'Ele?

Embora nós, seres umanos, sejamos limitados e a infinita grandeza de Deus nunca se ajuste aos conceitos humanos, podemos, no entanto, falar acertadamente de Deus. [39-43, 48]

Para fazermos afirmações sobre Deus, utilizamos imagens imperfeitas e noções limitadas. Cada dito sobre Deus situa-se, portanto, sob a condição de que a nossa linguagem não está à altura da grandeza de Deus. Assim, temos continuamente de purificar e melhorar o nosso discurso sobre Deus.

"O que é incompreensível não é, por isso mesmo, menos importante."

5 - Porque há pessoas que negam a Deus, se elas O podem descobrir pela razão?

Descobrir Deus invisível é um grande desafio para o espírito humano. Muitos, perante isso, recuam de medo. Alguns também não querem descobrir Deus precisamente porque, então, teriam de mudar a sua vida. Quem diz que a questão de Deus é absurda, porque insolúvel, torna o assunto demasiado simples. [37-38] -> 357

"Por isso, há pessoas que, nestes assuntos, se convencem de que é falso ou duvidoso aquilo com que não querem concordar." Pio XII, Humani Generis