13 - Pode a Igreja enganar-se em questões de fé?

A totalidade dos crentes não pode errar na fé, porque Jesus prometeu aos Seus discípulos mandar-lhes o Espírito da Verdade e conservá-los na Verdade. (Jo 14,17] [65-66, 73]

Tal como os discípulos acreditavam em Jesus de todo o coração, também um cristão pode confiar totalmente na Igreja se procurar o caminho da Vida. Efectivamente, se o próprio Jesus fez dos Seus Apóstolos participantes na missão de ensinar, a igreja tem uma funão educativa (-> MAGISTÉRIO) e não se pode calar. É certo que alguns membros da Igreja se podem enganar e até cometer erros graves, mas a Igreja, como um todo, nunca se poderá desviar da Verdade de Deus. A Igreja transporta, através do tempo, uma Verdade viva, que é maior que ela mesma. Fala-se de depositum fidei, o tesouro da fé, que deve ser preservado. Caso alguma verdade seja publicamente questionada ou deturpada, a Igreja é desafiada a trazer novamente à luz «aquilo em que se creu por toda a parte em todos os tempos e por todos os crentes» (S. Vicente de Lérins, 450)

MAGISTÉRIO
É a designação da tarefa da Igreja Católica de explicar a fé, interpretá-la com a assistência do Espírito Santo e protegê-la de adulterações. 

12 - Como sabemos o que pertence à verdadeira fé?

Encontramos a verdadeira fé na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja. [76, 80-82, 85-87, 97, 100]

O -> NOVO TESTAMENTO surgiu da fé da Igreja. Escritura e Tradição pertencem-se mutuamente. A transmissão da fé não ocorre primordialmente através de textos. Santo Hilário de Poitiers, bispo da Igreja antiga, dizia: «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais que em pergaminho». Já os discípulos e os -> APÓSTOLOS tiveram a experiência da Vida Nova antes de mais através da comunhão viva com Jesus. A jovem Igreja convidou outras pessoas a esta comunhão, que continuou de outra maneira após a ressurreição. Os primeiros cristãos eram «assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2,42). Eles eram unidos entre si, mas tinham espaço para os outros. É isto que constitui a fé até hoje: os cristãos convidam outras pessoas para descobrirem a comunhão com Deus, a qual, desde o tempo dos Apóstolos, se manteve genuína na Igreja Católica.

"Portanto, a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Concílio Vaticano II, Dei Verbum, nº 9

11 - Porque transmitimos a fé?

Transmitimos a fé porque Jesus ordenou-nos: «Ide, fazei discípulos de todas as nações!» (Mt 28,19) [91]

Nenhum cristão autêntico deixa a transmissão da fé apenas ao cuidado dos especialistas (catequistas, párocos, missionários). Somos cristãos para os outros. Isto significa que cada cristão autêntico deseja que Deus chegue também aos outros. Ele diz para si. «O Senhor precisa de mim! Sou baptizado, confirmado e responsável para que as pessoas à minha volta façam a experiência de Deus e cheguem ao conhecimento da Verdade.» (1Tm 2,4) Madre Teresa utilizou uma boa metáfora: «É frequente observares fios eléctricos ao longo da estrada. Se a corrente não passa por eles, não há luz. O fio é o que somos tu e eu. A corrente eléctrica é Deus. Temos o poder de a deixar passar atravé de nós e, assim, fornecer ao mundo a luz, que é Jesus, ou de recusarmos que Ele Se sirva de nós, permitindo, com isso, que a escuridão se alastre.» -> 123

MISSÃO (lat. missio = envio)
A missão é a essência da Igreja e o mandamento de jesus a todos os cristãos de anunciar o Evangelho com palavras e actos, de forma a que todas as pessoas optem livremente por Cristo.