41 - A ciência natural torna o Criador desnecessário?

Não. A frase "Deus criou o mundo" não é um axioma rebuscado na ciência natural. Trata-se de uma afirmação teológica (theos = Deus, logos = sentido). Isto é, uma asserção de carácter divino acerca do sentido e da origem das coisas. [282-289]

A narrativa da Criação não é um modelo explicativo científico-natural do início do mundo. "Deus criou o mundo" é uma declaração teológica na qual se refere a relação do mundo com Deus. Deus quis o mundo; Ele acompanha-o e aperfeiçoa-o. Ser criado é uma qualidade inerente às coisas e uma verdade elementar sobre elas.

Vós amais tudo o que existe e não odiais nada do que fizestes; porque se odiásseis alguma coisa, não a teríeis criado. Sb 11,24

40 - Pode Deus fazer tudo? Ele é omnipotente?

Para Deus «nada é impossível» (Lc 1,37) Ele é todo-poderoso. [268-278]

Quem, na sua necessidade, chama por Deus acredita na Sua omnipotência. Ele conduz todas as coisas e pode tudo. É um mistério como Ele exerce livremente a Sua omnipotência. Não raramente se pergunta: «Então onde está Deus?» Ele diz-nos através do profeta Isaías: «Os Meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os Meus.» (Is 55,8) A omnipotência de Deus revela-se frequentemente quando as pessoas não esperam mais nada dela. A impotência de Sexta-Feira Santa foi o pressuposto para a Ressurreição. -> 51, 478, 506-507

Pai, tudo Te é possível (Oração de Jesus no jardim do Getsémani) (Mc 14,36)

39 - Jesus é Deus? Ele pertence à Santíssima Trindade?

Jesus de Nazaré é o Filho, Ele pertence à segunda pessoa divina, à qual nos referimos quando rezamos: «Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.» (Mt 28,19) [243-260]

Ou Jesus era um vigarista quando Se apresentou como o "Senhor do -> SÁBADO" e deixou que fosse abordado com o título divino de "Senhor", ou Ele era realmente Deus. Provocou escândalo quando perdoou os pecados; isto era, aos olhos dos seus coevos, um crime capital. mediante milagres e sinais, mas especialmente através da ressurreição, os discípulos reconheceram quem era Jesus e adoraram-n'O como o Senhor. Esta é a fé da Igreja.

Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Jo 13,13

E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do Céu outro nome, dado à humanidade, pelo qual possamos ser salvos. Act 4,12

38 - Quem é o Espírito Santo?

O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima -> TRINDADE e é da mesma grandeza divina que o Pai e o Filho. [243-248, 263-264]

Devemos a descoberta, em nós, da realidade de Deus à acção do Espírito Santo. Deus enviou «aos nossos corações o Espírito de Seu Filho» (Gl 4,6)., para Ele nos aperfeiçoar totalmente. O cristão encontra, no Espírito Santo, uma alegria profunda, uma paz e uma liberdade interiores. «Vós não recebestes um espírito de escravidão para cair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual clamamos: "Abbá, Pai!"» (Rm 8,15) No Espírito Santo, que recebemos no Baptismo e na -> CONFIRMAÇÃO, podemos chamar "Pai" a Deus. -> 113-120, 203-207, 310-311

Vem Espírito Criador, visita as almas dos Teus fiéis, enche da graça do alto os corações que criaste! Hino Veni Creator Spiritus (São Rábano Mauro, ca. 780-856)

37 - De que modo Deus é «Pai»?

Veneramos Deus, antes de mais,  por ser Pai, porque Ele é o Criador e Se encarrega das Suas criaturas cheio de amor. Além disso, Jesus, o Filho de Deus, ensinou-nos a considerar o Seu Pai como nosso Pai, e a abordá-l'O mesmo com "Pai nosso". [238-240]

Diversas religiões pré-cristãs conheciam já o título divino de "Pai" (Dt 32,6; Ml 2,10); o pai e a mãe representam, na experiência humana, a origem e a autoridade, a protecção e o sustento. Jesus mostrou-nos como Deus é realmente Pai: «Quem Me vê, vê o Pai.» (Jo 14,9) Na parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), Jesus toca no profundo desejo humano de um Pai misericordioso. -> 511-527

A lembrança deste Pai ilumina a mais profunda identidade do ser humano: donde vimos, quem somos e quão grande é a nossa dignidade. Nós provimos naturalmente dos nossos pais e somos seus filhos; porém, nós vimos de Deus, que nos criou à Sua imagem e nos chamou a sermos Seus filhos. Por isso, não é o acaso ou concorrência do destino que se encontra na origem de cada ser humano, mas um plano do amor divino. Isto nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de onde vinha e de onde vimos nós todos: do amor do Seu Pai e de nosso Pai. Bento XVI, 09.07.2006

36 - Pode descobrir-se que Deus é trinitário pela simples lógica?

Não. A -> TRINDADE de Deus é um mistério. Só através de Jesus é que a descobrimos. [237]

O ser humano, com as capacidades da sua razão, não consegue atingir Jesus. Ele reconhece, todavia, a razoabilidade deste mistério, ao aceitar a -> REVELAÇÃO de Deus em Jesus Cristo. Se Deus fosse só e solitário, não poderia amar desde toda a eternidade. Iluminados por Jesus, encontramos sinais da Trindade de Deus já no - ANTIGO TESTAMENTO (por exemplo em Gn 1,2; 18,2; 2Sm 23,2) e até em toda a Criação.

TRINDADE (lat. trinitas = tríade)
Deus é um só, mas em três Pessoas. A Trindade Divina é um insondável mistério: por um lado, baseia-se na unidade de três Pessoas; por outro, desenvolve-se numa diversidade pessoal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

35 - Cremos num Deus ou em três deuses?

Cremos num Deus em três pessoas (-> TRINDADE). «Deus não é solidão, mas perfeita comunhão.» (Bento XVI, 22.05.2005) [232-236, 249-256, 261, 265-266]

Os cristãos não adoram três deuses diferentes, mas um único Ser que desabrocha em três, permanecendo, contudo, um. Que Deus seja trinitário, sabêmo-lo por Jesus Cristo: Ele, o Filho, fala do Seu Pai que está no Céu [«Eu e o Pai somos um» (Jo 10,30)]. Ele ora ao Pai e concede-nos o Espírito Santo, que é o amor do Pai e do Filho. Por isso, somos baptizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19)

Onde existe o Amor existe a Trindade: um que ama, um que é amado e uma fonte de amor. Santo Agostinho

34 - O que deve fazer uma pessoa quando descobre Deus?

Quando uma pessoa descobre Deus, tem de O colocar no primeiro lugar da sua vida. Assim começa uma vida nova! Os cristãos conhecem-se por amarem até os seus inimigos. [222-227. 229]

Descobrir Deus significa que Ele me criou e me quer, que em cada segundo me olha com amor, que abençoa a minha vida e a sustem, que tem nas Suas mãos o mundo e as pessoas, que espera por mim ansiosamente, que me quer preencher e aperfeiçoar, e fazer-me viver Consigo para sempre... enfim, que Ele está presente aqui, comigo. Não basta dizer que sim com a cabeça. Os cristãos têm de assumir o estilo de vida de Jesus.

Meu Senhor e meu Deus, toma de mim tudo o que me impede de chegar a Ti! Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que favorece aproximar-me de Ti! Meu Senhor e meu Deus, por favor, toma-me de mim e dá-me totalmente a Ti próprio! São Nicolau de Flür (1417-1487, místico e eremita suíço)

33 - O que significa "Deus é Amor"?

Se Deus é o amor, não há criatura que não seja sustentada e envolvida por um infinito desejo de bem. Deus não só declara que é o amor, mas também o demonstra: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos.» (Jo 15,13) [218,221]

Nenhuma outra -> RELIGIÃO afirma o que diz o Cristianismo: «Deus é amor.» (Jo 4,8.16). A fé assenta nesta expressão, embora a experiência da dor e da maldade no mundo faça muitos duvidar de que Deus seja realmente amoroso. Já no -> ANTIGO TESTAMENTO Deus comunica ao Seu Povo, pela boca do profeta Isaías: «Visto que és precioso e honrado aos meus olhos e Eu te amei, assim por ti dei nações inteiras. Não temas, pois, porque Eu estou contigo.» (Is 4,3.5) . E fá-lo dizer: «Pode a mulher esquecer-se da criança que amamenta e não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Mas ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esquecerei.» (Is 49,15). Que o discurso do Amor Divino não consiste em palavras vazias demonstra-o Jesus na cruz, onde Ele entrega a Sua vida pelos Seus amigos.

O verdadeiro amor dói. Ele dói sempre. Amar uma pessoa custa mesmo; é doloroso abandoná-la e deseja-se morrer por ela. Quando as pessoas se casam, têm de deixar muitas coisas de lado para se poderem amar. A mãe que dá a vida a uma criança sofre muito. A palavra «amor» é tão mal entendida e abusa-se tanto dela. Beata Madre Teresa

32 - O que significa "Deus é a Verdade"?

«Deus é luz e n'Ele não há trevas.» (1 Jo 1,5) A Sua Palavra é a Verdade (Pr 8,7; 2 SM 7,28) e a Sua Lei é a Verdade (Sl 119,142). O próprio Jesus responde pela Verdade de Deus quando, diante de Pilatos, confessa: «Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da Verdade.» (Jo 18,37) [214-217]

Deus não pode ser submetido a um processo de demonstração, a ciência não pode fazer d'Ele um objecto comensurável. E, no entanto, Deus deixa-Se submeter a um tipo especial de demonstração: que Deus é a Verdade sabemo-lo por via da absoluta credibilidade de Jesus. Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6). Isso pode descobrir e experimentar quem a Ele se abandona. Se Deus não fosse "verdadeiro", a fé e a razão não poderiam entrar em diálogo. É possível, porém, um entendimento entre elas, porque Deus é a Verdade e a Verdade é divina.

Jesus Cristo é a Verdade tornada pessoa que atrai o mundo a Si. A Luz que irradia de Jesus é o esplendor da Verdade. Cada outra verdade é um fragmento da Verdade que é Ele e para Ele aponta. Bento XVI, 10.02.2006

31 - Porque Se apresenta Deus com um nome?

Deus apresenta-Se com um nome porque deseja ser acessível. [203-213, 230-231]

Deus não deseja permanecer anónimo. Ele não quer ser venerado com um mero «Ser Superior», que simplesmente pode ser sentido ou pressentido. Deus deseja ser conhecido e invocado como Aquele que é real e activo. Na sarça ardente, Deus revela o Seu santo nome -> IHWH (Ex 3,14). Deus torna-Se acessível ao Seu Povo, embora Ele permaneça um Deus oculto, um mistério perene. Por causa de um elevadíssimo respeito, nunca se pronunciava (e ainda hoje não se pronuncia) em Israel o nome de Deus, sendo mesmo substituído pelo título Adonai (Senhor); até o -> NOVO TESTAMENTO o utiliza: «Jesus é o Senhor». (Rm 10, 9)

IHWH = IAHWEH
É o mais importante nome de Deus no Antigo Testamento. Pode ser traduzido por "Eu sou Aquele que sou!" Para Judeus e Cristãos designa o único Deus do Universo, o seu Criador, sustento, parceiro de aliança, libertador da escravidão do Egipto, juiz e salvador.

30 - Porque cremos em um só Deus?

Cremos em um só Deus porque. segundo o testemunho da Sagrada Escritura, há um só Deus, e também porque, segundo as leis da lógica, só pode haver um. [200-202, 228]

Se houvesse dois deuses, um seria a fronteira do outro. Nenhum dos dois seria infinito; nenhum,  perfeito. Portanto, nenhum seria Deus. A experiência fundamental de Deus feita por Israel está assim expressa: «Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é único.» (Dt 6,4) Os profetas exortavam continuamente a deixar os falsos deuses e a virar-se para o único Deus: «Eu sou Deus e mais ninguém.» (Is 45,22).

MONOTEÍSMO (gr. monos = único e theos = Deus; doutrina sobre a existência de um único Deus)
Doutrina sobre Deus enquanto Ser Único, absoluto e pessoal, o último fundamento de tudo. As religiões monoteístas são o Judaísmo, o Cristianismo e o islão.

29 - Qual é o teor do Simbolo Niceno-Constantinopolitano?

Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra
De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria.
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo.
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.

Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só baptismo
Para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e vida do mundo que há-de vir.

Ámen.

O Senhor nosso Deus é o único Senhor: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. Mt 12,29-30

28 - Qual é o teor do Símbolo dos Apóstolos?

Creio em Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
e em Jesus Cristo,
Seu único Filho, nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita do Pai, todo-poderoso
de onde há-de vir julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na ,remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna. Ámen.


O Credo seja para ti como um espelho! Mira-te nele para ver se realmente crês em tudo o que defines como fé. E aalegra-te cada dia na tua fé! Santo Agostinho

27 - Como surgiram os símbolos da fé?

Os símbolos da fé remontam ao tempo de Jesus, que exortou os discípulos a baptizar. Estes deveriam, então, confirmar se as pessoas confessavam uma determinada fé, nomeadamente no Pai, no Filho e no Espírito Santo (->TRINDADE). [188-191]

A célula primitiva de todos os símbolos posteriores é a «confissão do Senhor Jesus» e o Seu encargo missionário, isto é, «Ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!» (Mt 28,19). Todos os símbolos da fé da Igreja são desdobramentos da fé neste Deus trino. Cada um deles começa com a confissão do Pai Criador e sustento do mundo, referem-se ao Filho, através do qual o mundo e nós mesmos encontramos a redenção, e desembocam na confissão do Esp+irito Santo, que é a presença de Deus  na Igreja e no mundo.

26 - O que são símbolos da fé?

Símbolos da fé são definições abreviadas da fé, que possibilitam uma confissão comum a todos os crentes. [185-188, 192-197]

Tais definições abreviadas encontram-se já nas cartas paulinas. O protocristão Símbolo dos Apóstolos possui uma especial dignidade por ser uma síntese da fé dos -> APÓSTOLOS. O grande símbolo da fé tem um alto prestígio porque proveio dos grandes concílios da então ainda indivisa Igreja (Niceia, 325; Constantinopla 381) e permaneceu até hoje como a base comum dos cristãos do Oriente e do Ocidente.

25 - Para que precisa a fé de definições e de simbolismo?

Na fé, o que está em jogo não são palavras vazias, mas a realidade. Na Igreja, cristalizaram-se ao longo do tempo símbolos de fé, com a ajuda dos quais contemplamos, expressamos, aprendemos, transmitimos, celebramos e vivemos essa realidade. [170-174]

Sem formas densas dilui-se o conteúdo da fé. Por isso, a Igreja dá muito valor a determinadas proposições cuja expressão foi alcançada, na maioria das vezes, com muita dificuldade, para proteger a mensagem de Cristo de equívocos e adulterações. Os símbolos de fé são igualmente importantes na medida em que a fé da Igreja é traduzida para diferentes culturas, devendo manter-se na sua essência.

A Igreja [...] guarda [esta fé e esta mensagem] tal como as recebeu, como se ela habitasse numa única casa; ela crê como se tivesse apenas uma alma e um coração; e anuncia e transmite unanimemente o seu ensinamento como se tivesse apenas uma boca. Santo Irineu de Lião (ca 135-202, doutor da Igreja)

24 - O que tem a minha fé a ver com a Igreja?

Ninguém pode crer só para si mesmo, como também ninguém consegue viver só para si mesmo. Recebemos a fé da Igreja e vivemo-la em comunhão com todas as pessoas com quem partilhamos a nossa fé. [166-169, 181]

A fé é aquilo que uma pessoa tem de mais pessoal, mas não é um assunto privado. Quem deseja crer tem de poder dizer tanto “eu” como “nós”, pois uma fé que não possa ser partilhada e comunicada seria irracional. Cada crente dá o seu consentimento ao Credo da Igreja. Dela recebeu a fé. Foi ela que, ao longo dos séculos, lhe transmitiu a fé, a guardou de adulterações e a clarificou constantemente. Crer é, portanto, tomar parte numa convicção comum. A fé dos outros transporta-me, como também o fogo da minha fé incendeia os outros e os fortalece. O “eu” e o “nós” da fé remetem-nos para os dois símbolos da fé da Igreja, pronunciados na Liturgia: o Símbolo dos Apóstolos, que começa com (“eu creio”) (-> CREDO), e o grande Símbolo Niceno-Constantinopolitano, que, na sua formam original, começava com credimus (“nós cremos”).credimus (“nós cremos”).

Credo (lat. credo = creio)
Primeira palavra do Símbolo dos Apóstolos, tornou-se a designação para vários textos da Igreja em que os conteúdos essenciais da fé são vinculativamente sintetizados.

Onde estão dois ou três reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles. Mt 18,20

23 - Existe contradição entre fé e ciência natural?

Não existem contradições insolúveis entre fé e ciência natural, porque não podem existir verdades duplas. [159]

Nenhuma verdade da fé faz concorrência com as verdades da ciência. Só existe uma Verdade, à qual dizem respeito tanto a fé como a razão científica. Deus quis tanto a razão, com que podemos descobrir as estruturas racionais do mundo, como a fé. Por isso, a fé cristã exige e apoia a ciência natural. A fé existe para conhecermos as coisas que, embora não possam ser abarcadas pela razão, existem todavia para além da razão e são reais. A fé lembra à ciência natural que esta não se deve colocar no lugar de Deus, mas servir a Criação. A ciência natural tem de respeitar a dignidade humana, em vez de atentar contra ela.

Ninguém consegue chegar ao conhecimento das coisas divinas e humanas se antes não aprendeu matemática solidamente. Santo Agostinho (354-430, filósofo, bispo e doutor da Igreja)

Entre Deus e ciência natural não encontramos qualquer contradição. Eles não se excluem, como hoje alguns crêem e temem; eles completam-se e implicam-se mutuamente. Max Planck (1858-1947, físico alemão, Nobel da Física, fundador da teoria quântica)

22 - Como se crê?

Quem crê procura uma ligação pessoal com Deus e está pronto a crer em tudo o que Ele revelou acerca de Si mesmo. [150-152]

Quando a fé nasce, ocorre com frequência uma perturbação ou um desassossego. O ser humano apercebe-se de que o mundo visível e o decurso normal das coisas não correspondem a tudo o que existe. Sente-se tocado por um mistério. Persegue as pistas que o remetem para a existência de Deus e encontra-se cada vez mais confiante em abordar Deus e, por fim, ligar-se a Ele livremente. Diz-se no Evangelho segundo São João: «A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.» (Jo 1,18) Portanto, temos de crer em Jesus, o Filho de Deus, se queremos saber o que Deus nos quer comunicar. Assim, crer significa aderir a Jesus e entregar a nossa vida inteira nas Suas mãos.

Credo, ut intelligam – Creio, para compreender. Santo Anselmo de Cantuária (1033/34-1109, doutor da Igreja, notável teólogo da Idade Média)