44 - Quem criou o mundo?

Deus é que, para lá do tempo e do espaço, tirou o mundo do nada e chamou todas as coisas à existência. Tudo quanto existe depende de Deus e tem, assim, durabilidade no Ser porque Deus quer que assim seja. [290-292, 316]

A criação do mundo é, de certa forma, uma "obra comum" da Santíssima Trindade. O Pai é o Criador, o omnipotente. O Filho é o sentido e o coração do mundo: «Por Ele e para Ele tudo foi criado.» (Cl 1,16) Só sabemos para que serve o mundo quando conhecemos Cristo; com Ele compreendemos que o mundo tende para um fim: a Verdade, a Bondade e a Beleza do Senhor. O Espírito Santo mantém tudo na existência; Ele é que «dá vida» (Jo 6,63).

Pois fizestes todas as coisas e pela Vossa vontade existem e foram criadas. Ap 4,11

43 - O mundo é porventura produto do acaso?

Não. A causa do mundo é Deus, não o acaso.
Ele não é um produto de factores sem sentido, tanto no que concerne à sua origem, como no que diz respeito à sua ordem interna e ao seu fim. [295-301, 317-3, 320]

Os cristãos acreditam que podem ler o manuscrito de Deus na Sua Criação. João Paulo II, em 1985, confrontou os cientistas que falam da totalidade do mundo como um processo casual, sem sentido e sem fim: «Perante este Universo em que estão patentes uma tão complexa organização dos seus elementos e uma tão maravilhosa orientação final na sua existência, falar de acaso seria o mesmo que abdicar de procurar a explicação do mundo tal como se nos apresenta. De facto, isto seria o mesmo que aceitar efeitos sem causa. Tal significaria a renúncia do entendimento humano, que assim rejeitaria o pensamento e a procura de uma solução para os problemas.» -> 49

Não somos o produto casual e sem sentido da Evolução. cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus. Cada um é desejado, cada um é amado, cada um é necessário. Bento XVI, 28.04.2005

42 - Pode alguém aceitar a Evolução e simultaneamente crer no Criador?

Sim, a fé está aberta aos conhecimentos e às hipóteses das ciências naturais. [290-292]

A teologia não tem competência científico-natural, nem a ciência natural tem competência teológica.
A ciência natural não pode excluir dogmaticamente que na Criação haja processos orientados para um fim; por seu turno, a fé não pode definir como eles se concretizam no curso do desenvolvimento da Natureza. Um cristão pode aceitar a Teoria da Evolução como um modelo explicativo eficaz, desde que não caia no erro do evolucionismo, que vê no ser humano um produto casual de processos biológico. A -> EVOLUÇÃO pressupõe sobre o "onde" deste "algo". De igual modo, a biologia não pode responde" a perguntas àcerca do "ser", da "essência", da "dignidade", da "missão", do "sentido" e do "porquê" do mundo e do ser humano.
Tal como o evolucionismo, num extremo, também o -> CRIACIONISNO, no outro, é uma ultrapassagem de limites; os criacionistas tomam ingenuamente à letra os dados bíblicos (como a idade da Terra e os seis dias da criação).

EVOLUÇÃO (lat. evolutio = acção de desenrolar, desenvolvimento)
Trata-se da alterção formal dos organismos ocorrida durante milhões de anos. Numa perspectiva cristã, a Evolução corresponde à Criação contínua de Deus, realizada através de processos naturais.

CRIACIONISMO (lat. criatio = criação)
A concepção de que o próprio Deus, segundo o esquema do Livro dos Génesis, criou a Terra por acção directa e de uma só vez.