81 - Maria teve outros filhos além de Jesus?

Não. Jesus é o único filho biológico de Maria. [500, 510]

Já na Igreja antiga se partia do princípio de que a virgindade de Maria era perene, o que excluía a ideia de que Jesus tivesse irmãos biológicos. Em aramaico, a língua-mãe de Jesus, só existe uma palavra para "irmão" e "irmã", primo" e "prima". Onde, nos Evangelhos se fala de "irmãos" de Jesus (por exemplo Mc 3,31-35), refere-se a parentes próximos d'Ele.

Quem não confessar que o Emanuel (*) é Deus e que a Santa Virgem é mãe de Deus por essa razão, seja anátema. Concílio de Éfeso, 431
(*) Em Mt 1,23 diz-se: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado "Emanuel", que quer dizer "Deus connosco".»

Concílio de Éfeso (fonte Wikipédia)

80 - Porque razão Maria é virgem?

Deus quis que Jesus Cristo tivesse uma verdadeira mãe humana, reservando a Si próprio a paternidade do Seu Filho, pois desejava estabelecer um novo início que não se devesse às forças humanas, mas só a Ele. [484-504, 508-510]

A virgindade de Maria não é uma noção retirada da mitologia, mas está basicamente ligada à vida de Jesus. Ele nasceu de uma mulher, mas não teve um pai biológico. Jesus Cristo é um novo início, instituído no mundo pelo Alto. No Evangelho segundo São Lucas, Maria pergunta ao anjo Gabriel: «Como será isto, se eu não conheço homem?» (= não dormi com nenhum homem, Lc 1,34); o anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti.» (Lc 1,35) Embora se tenha troçado da Igreja, desde o princípio, por causa da sua crença na virgindade de Maria, ela sempre acreditou que aqui se tratava de uma virgindade real, e não meramente simbólica. -> 117

Aquilo em que a fé católica crê a respeito de Maria funda-se no que crê a respeito de Cristo. CCC 487

79 - Tinha Jesus, como nós, uma alma, um espírito e um corpo?

Sim. Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com um coração humano» (CONCÍLIO VATICANO II; Gaudium et spes, nº 22). [479-476]

O ser integral de Jesus implica que Ele possuía uma "psique" (alma) e que Se desenvolvia "psiquicamente". Nesta alma habitava a Sua identidade humana e a Sua especial autoconsciência. Jesus sabia da Sua unidade com o Pai Celeste no Espírito Santo, pelo qual Se deixava guiar em todas as situações da vida.

E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça. Lc 2,52

78 - Por que motivo só podemos entender Jesus como um "mistério"?

Se Jesus adentra o mundo de Deus, Ele não pode ser entendido se Lhe for excluída a realidade divina invisível.[525-530, 536]

O lado visível de Jesus remete para o invisível. Vemos na Sua vida abundantes realidades poderosas que só conseguimos compreender como -> MISTÉRIO. Tais mistérios são, a título de exemplo, a filiação divina, a encarnação, o sofrimento e a ressurreição de Cristo.

MISTÉRIO (gr. mysterion = mistério) Um mistério é uma realidade (ou um aspecto de uma realidade) que não pode ser deduzida do conhecimento racional.

77 - O que significa dizer que Jesus Cristo é ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem?

Em Jesus, Deus tornou-Se verdadeiramente um de nós e, portanto, nosso irmão. Todavia, Ele não deixou de ser Deus nem nosso Senhor. O Concílio de Calcedónia ensinou, no ano de 451, que a divindade e a humanidade estão unidas - «não separadas nem misturadas» - na única pessoa de Jesus Cristo. [464-467, 469]

A Igreja precisou de muito tempo e esforço para conseguir expressar a relação entre a divindade e a humanidade em Jesus Cristo. Divindade e humanidade não são rivais, de modo a que Jesus só parcialmente fosse Deus e só parcialmente fosse homem; as dimensões divina e humana também não estão misturadas. Deus, em Jesus, não tomou só aparentemente um corpo humano (docetismo); Ele tornou-Se realmente homem. Além disso, a pessoa divina e humana não corresponde a duas pessoas distintas (nestorianismo). Finalmente, a natureza humana não foi totalmente absorvida pela natureza divina (monofisitismo). Contra todos estes erros, a Igreja sustentou a fé de que Jesus, Cristo é, conjuntamente, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A famosa expressão "nem misturadas nem separadas" (Concílio de Calcedónia) não procura explicar o que é superior à compreensão humana, mas determinar os pontos angulares da fé; ela aponta a direcção em que pode ser procurado o mistério da pessoa de Jesus Cristo.

Uma religião sem mistério só pode ser uma religião sem Deus. Jeremy Taylor (1613-1667, escritor espiritual inglês)

Concílio de Calcedónia (fonte Wikipedia)

76 - Por que motivo Deus Se tornou homem em Jesus?

«E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.» (-> CREDO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO) [456-460]

Através de Jesus Cristo, Deus reconciliou-Se com o mundo e redimiu a humanidade do cativeiro do pecado. «Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho Unigénito.» (Jo 3,16) Em Jesus, Deus assumiu a nossa carne humana mortal (-> ENCARNAÇÃO),  participou da nossa sorte terrena, dos sofrimentos e da nossa morte, tornando-Se um de nós em tudo, excepto no pecado.

Ele permaneceu o que era e assumiu o que não era. Liturgia romana do primeiro dia de Janeiro.

75 - Por que razão os cristãos tratam Jesus por "Senhor"?

«Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. » (Jo 13,13) [446-451, 455]

Era natural entre os primeiros cristãos falar-se de Jesus como do "Senhor", sabendo eles que, no -> ANTIGO TESTAMENTO, essa designação era um título reservado a Deus. Jesus mostrou-lhes mediante muitos sinais que tinha poder divino sobre a Natureza, os demónios, o pecado e a morte.  A origem divina do envio de Jesus revelou-se na ressurreição dos mortos. S. Tomé confessou: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20,28) Para nós, dizer que Jesus é "o Senhor" implica que um cristão não se deve submeter perante mais nenhum poder.

Deus é tão grande que Se pode tornar pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer indefeso, aproximando-Se de nós como uma criança indefesa, para que O possamos amar. Bento XVI, 25.12.2005

74 - O que significa dizer que Jesus é o «Filho Unigénito de Deus»?

Quando Jesus Se declara como «Filho Unigénito de Deus» [filho único ou filho nascido unicamente de Deus (Jo 3,16)], como testemunham S. Pedro e os outros discípulos, fica expresso que, em toda a humanidade, apenas Jesus é mais que um ser humano. [441-445, 454]

Em muitas passagens do -> NOVO TESTAMENTO (Jo 3,16.18; 1Jo 4,9), Jesus é chamado «Filho». Aquando do Baptismo e da Transfiguração, a voz celeste chama a Jesus «Filho amado». Jesus inicia os discípulos na Sua relação única com o Pai do Céu: «Tudo Me foi dado por Meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar.» (Mt 11,27). Pela ressurreição, torna-se evidente que Jesus Cristo é realmente o Filho de Deus.

A dignidade humana é colocada em jogo quando Deus não ocupa o primeiro lugar. Por isso, pede-se insistentemente que o ser humano contemporâneo seja levado a descobrir a verdadeira face de Deus, que Se revelou em Jesus Cristo. Bento XVI, 28.08.2005

73 - Porque está Jesus associado ao cognome "Cristo"?

Na fórmula breve "Jesus é o Cristo" exprime-se o cerne da fé cristã: Jesus, o filho de um simples carpinteiro de Nazaré, é o Messias e Salvador esperado. [435-440, 453]

Tanto o adjectivo grego Christos (Cristo) como o particípio hebraico mashiah (messias) significam "ungido". Em Israel, eram ungidos reis, sacerdotes e profetas. Os -> APÓSTOLOS perceberam que Jesus tinha sido ungido com o Espírito Santo (Act 10,38). Na sequência de Cristo, chamamo-nos cristãos, para exprimir a nossa elevada vocação.

Fala de Cristo apenas quando te perguntarem. Mas vive de tal maneira que te perguntem por Cristo! Paul Claudel (1868-1955, poeta e dramaturgo francês)

72 - O que sgnifica o nome "Jesus"?

Em hebraico, "Jesus" significa "Deus Salva". [430-435, 452]

Nos Actos dos Apóstolos, Pedro diz:«E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado à humanidade, pelo qual possamos ser salvos.» (Act 4,12) Essencialmente é esta mensagem que todos os missionários transmitem ao mundo.

Nas catacumbas romanas, encontra-se um sinal secreto protocristão, que era uma profissão de fé em Jesus: a palavra ICHTHYS ("peixe"). As suas letras correspondem às iniciais das palavras Iesus ("Jesus"), CHristus ("Cristo"), THeo ("de Deus"), hYos ("Filho"), Soter ("Salvador").

71 - Porque se chama "Evangelho", isto é, "Boa Notícia", a narrativa sobre Jesus?

Sem os evangelhos, não saberíamos que Deus, por amor infinito, nos enviou o Seu Filho, para que nós, apesar dos nossos pecados, encontrássemos o caminho de regresso à eterna comunhão com Deus. [422-429]

As narrativas sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus são a melhor notícia do mundo. Elas testemunham que Jesus de Nazaré, um israelita nascido em Belém, é o «Filho de Deus Vivo» (Mt
16,16) feito homem. Ele foi enviado pelo Pai, para que todos se salvassem e chegassem ao conhecimento da verdade (cf. 1Tm 2,4).

E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a Sua glória, glória que lhe vem do Pai, como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. Jo 1,14

70 - Como nos retira Deus da sucção do mal?

Deus não fica a assistir à forma sucessiva como o ser humano se destrói a si mesmo e ao seu ambiente, através da reacção em cadeia do pecado. Ele envia-nos Jesus Cristo, o Salvador e Redentor, que nos arranca do poder do pecado. [410-412, 420-421]

"Ninguém me pode ajudar" - esta frase da experiência humana deixou de ser verdade. Deus Pai enviou o Seu Filho onde o ser humano, com o seu pecado, acabava. A consequência do pecado é a morte (cf. Rm 6,23). Mas a consequência do pecado é também a maravilhosa solidariedade de Deus, que nos envia Jesus como amigo e salvador.  Por isso, o pecado original é também designado felix culpa (= feliz culpa): «Oh ditosa culpa que nos mereceu tão grande Redentor!» (Precónio Pascal)

Quando as mãos de Cristo foram pregadas na cruz, Ele pregou nas cruz os nossos pecados. São Bernardo de Claraval

69 - Somos coagidos a pecar pelo pecado original?

Não. Todavia, o ser humano está profundamente ferido pelo pecado original e inclinado a pecar. Não obstante, é capaz de fazer o bem com a ajuda de Deus. [405]

É possível viver sem nunca pecar. Na realidade, porém, pecamos constantemente pelo facto de sermos fracos, néscios e seduzíveis. Um pecado forçado não seria, aliás, um pecado, porque a liberdade de escolha faz sempre parte do pecado.

Um comportamento moral para com o mundo só é, então, possível e benéfico quando se assume a porcaria da vida, a cumplicidade na morte e no pecado, em suma, todo o pecado original, e quando se renuncia a ver a culpa sempre nos outros. Hermann Hesse (1877-1962, escritor alemão)

68 - Pecado original? O que temos nós a ver com a "queda" de Adão e Eva?

O pecado é, em sentido próprio, uma culpa de responsabilidade pessoal. A expressão "pecado original" refere, portanto, não o pecado pessoal, mas o estado nocivo da humanidade em que nasce o indivíduo, antes mesmo de, por livre vontade, ele pecar, [388-389, 402-404]

Acerca do pecado original, diz Bento XVI que se deve compreender «que todos carregamos dentro de nós uma gota do veneno daquela forma de pensar que nos é ilustrada nas imagens do Livro -> dos GÉNESIS. [...] O ser humano não confia em Deus. Seduzido pelas palavras da serpente, levanta a suspeita de que Deus é um adversário que [...] restringe a nossa liberdade, e de que só seremos verdadeiramente humanos quando pusermos Deus de parte. [...] O ser humano não quer receber de Deus a existência e a plenitude da sua vida. [...] E, na medida, em que o faz, confia na mentira em vez da verdade e precipita a sua vida no vazio, na morte.» (08.12.3005)

A serpente disse então à mulher: «[---] No dia em que dele comerdes, os vossos olhos se abrirão e sereis como deuses.» Gn 3,4 ss.

67 - O que é o pecado?

O cerne do pecado é a rejeição de Deus e a recusa de aceitar o Seu amor. Isto revela-se no desdém pelos Seus Mandamentos. [385-390]

O pecado é mais do que um comportamento erróneo; é também uma fraqueza física. Na sua natureza mais profunda, essa rejeição ou destruição de algo bom é a recusa do Bem por excelência, isto é, a recusa de Deus. O pecado, a sua mais profunda e terrível dimensão, é a separação de Deus e, com isso, a separação da fonte da Vida, daí que a morte seja também a consequência do pecado: Jesus sofreu a rejeição de Deus no Seu próprio corpo. Ele tomou sobre Si a violência mortal do pecado, para ele não nos atingir. É neste sentido que usamos a palavra "redenção". -> 224.237, 315-318, 348-468

O mais grave não é cometer crimes, é não fazer o bem que poderia ter sido feito. É o pecado de omissão, que é nada mais que o não-amor; mas ninguém se queixa dele. Léon Bloy (1846-1917, escritor francês)

66 - Estava no plano de Deus que o ser humano sofresse e morresse?

Deus não quer que o ser humano sofra nem morra. A ideia original de Deus para o ser humano era o Paraíso: vida eterna e paz entre Deus, o ser humano e o seu ambiente, entre homem e mulher. [374-379, 384, 400]

Por vezes, sentimos o modo como a vida deveria ser, como nós deveríamos ser; mas, de facto, vivemos em guerra connosco próprios, somos determinados pela angústia e por paixões descontroladas, e perdemos a harmonia original com o mundo e, por fim, com Deus. Na Sagrada Escritura, a experiência dessa alienação é expressa na história da "queda original". Porque o pecado se introduziu furtivamente, Adão e Eva tiveram de abandonar o Paraíso, no qual estavam em harmonia consigo e com Deus. A fadiga laboral, o sofrimento, a mortalidade e a inclinação para o pecado são indícios da perda do Paraíso. 

Perdemos o Paraíso, mas recebemos o Céu, pelo que o ganho é maior que a perda. São João Crisóstomo (349/350-407, doutor da Igreja)

65 - E as pessoas que se sentem homossexuais?

A Igreja crê que a homossexualidade não corresponde à ordem da Criação na qual foram delineadas a necessidade do complemento e a atracção mútua entre homem e mulher, com vista à geração dos filhos.  Por isso, a Igreja não pode aprovar práticas homossexuais. No entanto, ela deve respeito e amor a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual, porque são todas respeitadas e amadas por Deus. [2358-2359]

Todo o ser humano que existe na Terra provém da união de uma mãe e um pai. Por isso, para algumas pessoas orientadas sexualmente é uma experiência dolorosa não se sentirem eroticamente atraídas pelo sexo oposto e terem de sentir, numa união homossexual, a falta da fecundidade física, como é próprio da natureza do ser humano e da divina ordem da Criação. Frequentemente, contudo, Deus chama a Si por vias inusitadas: uma carência, uma perda ou uma ferida - assumida ou aceite -  pode tornar-se um trampolim para se lançar nos braços de Deus, aquele Deus que tudo corrige e Se deixa descobrir mais como Redentor que como Criador. -> 415

Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele. Gn 2,18

64 - De que forma Deus criou o ser humano "homem e mulher"?

Deus, que é o amor e o arquétipo da comunhão, criou o ser humano "homem e mulher", para que, em comunhão, fossem um retrato do Seu ser. [369-373, 383]

Deus fez o ser humano de tal forma que este, sendo homem ou mulher, anseia pela realização e a totalidade no encontro com o sexo oposto. Os homens e as mulheres têm absolutamente a mesma dignidade, ainda que exprimam, no criativo desenrolar do seu ser masculino e feminino, aspectos distintos da perfeição de Deus. Deus não é homem nem mulher; todavia, Ele revelou-Se como paterno (Lc 6,36) e materno (Is 66,13). No amor do homem e da mulher, especialmente na comunhão matrimonial, em que o homem e a mulher se tornam «uma só carne» (Gn 2,24), o ser humano pode pressentir a felicidade da união com Deus, na qual ele achará a definitiva totalidade. Tal como o amor de Deus é fiel, também o amor deles procura ser fiel; e este é criador, analogamente ao amor de Deus, pois do matrimónio surge vida nova. -> 260, 400-401, 416-417

Deus criou o ser humano à Sua Imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. Gn 1,27

63 - De onde obtém o ser humano a sua alma?

A alma humana é criada directamente por Deus, Não é "produzida" pelos pais. [366-368, 382]

A alma de uma pessoa não pode ser produto de um desenvolvimento evolutivo da matéria nem o resultado de uma fusão genética do pai e da mãe. A Igreja explica da seguinte forma o mistério de cada ser humano vindo a este mundo ser uma pessoa única e espiritual: ao ser humano Deus dá uma alma imortal, ainda que ele, pela morte, perca o seu corpo, para o reencontrar na ressurreição. Dizer «Tenho uma alma» significa afirmar: «Deus criou-me não apenas como um ente, mas como pessoa, e chamou-me a uma relação com Ele que nunca mais termina.»

O ser humano está unido a todos os seres vivos pela sua proveniência terrena, e só se torna humano através da sua alma, "insuflada" por Deus. Isso concede-lhe a sua inconfundível dignidade, mas também a sua responsabilidade única. Cardeal Christoph Schönborn (*1945 arcebispo de Viena)

62 - O que é a alma?

A alma é o que faz cada pessoa ser humana, isto é, o seu princípio de vida espiritual, o seu íntimo. A alma faz com que o corpo material se torne um corpo vivo e humano. Através da alma, o ser humano torna-se um ente que pode dizer "eu" e permanece diante de Deus como um indivíduo inconfundível. [362-365, 382]

Os seres humanos são corporais e espirituais. O espírito do ser humano é mais do que uma função do corpo e não se compreende a partir da composição material do ser humano. A razão diz-nos que tem de haver um princípio espiritual que esteja unido ao corpo, embora não lhe seja idêntico, e que designamos por "alma". Embora a alma não se possa "comprovar" pela ciência natural, o ser humano não se consegue entender enquanto ente espiritual sem a admissão deste princípio espiritual, que excede a matéria. -> 153-154, 163

O ser humano torna-se realmente ele mesmo quando corpo e alma se encontram em íntima unidade... Se o ser humano aspira somente a ser espírito e deseja rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, o espírito e o corpo perdem, então, a sua dignidade. E se ele, por outro lado, renega o espírito e consequentemente considera a matéria, o corpo, como realidade exclusiva, perde igualmente a sua grandeza. Bento XVI; Deus caritas est